Como a "Democracia" europeia se curva à Plutocracia enquanto os Deputados fazem as Malas
A Arte de aprovar leis quando ninguém está a olhar
Enquanto a maioria dos cidadãos europeus se prepara para as férias, a máquina burocrática de Bruxelas engrenou a toda a velocidade para ressuscitar o Chat Control. Depois de ter sido rejeitado em março, o monstro da vigilância em massa voltou à ordem do dia através de uma manobra processual digna de um golpe de bastidores.
- Quando? Véspera da pausa de verão, com
metade dos deputados já de partida ou distraídos com o futebol.
- O resultado da votação preliminar (7
de julho): 331 a favor, 304 contra, 11 abstenções. Mas 74 eurodeputados estavam ausentes. Ou
seja, a "maioria" que reabriu o processo foi, na verdade, uma minoria
do plenário.
A Armadilha perfeita
A jogada de mestre dos representantes da plutocracia de Bruxelas é esta: ao forçar o regime de urgência, a votação final (dia 9 de julho) passou a exigir uma maioria absoluta de 361 votos para travar a medida.
- Se os opositores não atingirem os 361 votos contra a lei é automaticamente adoptada.
- Basta que os deputados estejam de férias ou ausentes para que a vigilância
passe. A democracia morre por omissão.
A Hipocrisia em Estado puro
Bruxelas gosta de se arvorar em defensora da democracia, apontar o dedo à Rússia e à China, e pregar lições de moral ao mundo. No entanto, faz exatamente o que condena: cria ferramentas para ler as nossas mensagens privadas, viola a encriptação e reduz os cidadãos a meros objetos funcionais.
"Temo os gregos, mesmo quando trazem presentes" – Laocoonte gritou a verdade, ouviu-se o som oco do cavalo, mas Troia preferiu a mentira confortável. O Cavalo de hoje chama-se Chat Control, e os gregos são os burocratas que querem escrutinar a nossa vida privada em nome da "proteção".
O que está em Jogo
A votação final é amanhã, 9 de
julho de 2026. Os 74
eurodeputados que faltaram à votação preliminar têm o poder de decidir o
rumo da nossa liberdade.
- Precisamos de 361 votos CONTRA.
- Se regressarem e votarem contra, a vigilância em massa é travada. Se não
regressarem, a nossa privacidade morre lentamente sob o peso da burocracia.
O Humor como o dourado do Sol
Vivemos de reflexos, de ecos de nós mesmos e do eco ampliado na sociedade — um jogo de câmaras onde a imagem original se perde na repetição. A democracia, essa velha senhora de olhos cansados, vê o seu rosto desfigurado nos espelhos de Bruxelas. Mas nesse salão de espelhos, resta sempre uma porta aberta: o humor, que não desfaz o engano, mas o tempera com a luz dourada do crepúsculo, lembrando-nos que, mesmo na mais sombria paisagem, o sol se põe para que possamos, ao menos, rir da nossa própria sombra.
Contacte os seus eurodeputados. Pergunte-lhes onde estavam no dia 7 de julho.
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11144

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