quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

LIVRO DE HITLER “MINHA LUTA” (MEIN KAMPF)



Dois Pesos e duas Medidas – Anotações preventivas contra o Fascismo

António Justo
70 anos depois do fascismo nazista, é permitida, a partir de 31.12.2015, a reedição da sua cartilha, na Alemanha.  Até à morte de Hitler tinham sido publicados 12 milhões de exemplares. Desde então a publicação de Mein Kampf ficou interdita.

Entre o dia 1 e 8 de Janeiro de 2016, vai ser publicado o livro de Hitler "Mein Kampf" (Minha Luta), com 3.500 anotações; os comentários destinam-se a precaver os jovens contra a ideologia nazista (ideias antissemitas, racialistas e nacional-socialistas). 

Por outro lado continua a não se exigir anotações nem comentários ao Corão embora este apele 27 vezes ao assassinato/perseguição de não-muçulmanos e contenha instruções para a subjugação das mulheres (1), afirme a discriminação e inferioridade de não crentes muçulmanos, pregue a hostilidade para com os judeus e defenda a hegemonia muçulmana. 

O historiador Christian Hartmann, do Instituto de História Contemporânea de Munique, espera que com os 3500 comentários/anotações ao texto, poderá dizer que “‘Mein Kampf’ é uma granada velha e ferrugenta da qual tiramos o explosivo”. A edição sai, com o título “Hitler, Meu Combate – Uma Edição Crítica „ em dois volumes com o preço de 59€.

É oportuno lembrar que os nossos jovens não só devem ser protegidos contra a ideologia nazista, como também contra o fascismo religioso, tal como se expressa num Corão não comentado. O fato de o fascismo ocorrer neste em traje religioso, não pode ser considerado carta-branca nem tabu. 

Qualquer pessoa familiarizada com a história islâmica sabe como Mohammed se comportava e que é tomado como exemplo a ser imitado e como os terroristas muçulmanos se apresentam como os verdadeiros seguidores das prescrições do Corão; apesar de tudo isto, também os média continuam a considerá-lo inviolável. O Corão deveria possuir comentários tal como agora acontece com o livro de Hitler, a fim de reduzir o seu efeito de sedução sobre os jovens. A credibilidade da política deixa tudo a desejar neste ponto, onde não é permitida qualquer objetividade. A classe política e intelectual (que deveria conhecer bem “ Meu Combate” e o Corão, apresenta-se contraditória proibindo num lugar o que no outro se afirma. Com a sua indiferença torna-se cúmplice com os mais conservadores islâmicos motivando os radicais em prejuízo dos reformistas.

A Política e a Sociedade cada vez se distanciam mais uma da outra, dado os políticos darem a impressão de terem menos conhecimento objectivo sobre o Corão, e do que ele não comentado causa, do que parte da população. É preciso motivar os muçulmanos de boa vontade a reformar o Islão, começando por exigir anotações às suras do Corão e motivar a abordagem teológica histórico-crítica sobre Maomé, sobre o Corão, sobre os ensinamentos do profeta e sobre a Sharia. 

A História parece demonstrar que a consciência de povos e estados, mais que por princípios éticos, é determinada pelas realidades económicas e por interesses de poder, não sendo considerado como adulterada uma prática (moral) que os justifica, a não ser por pessoas mais sensíveis!
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo www.antonio-justo.eu
(1)     Na Arábia Saudita, atenta ao cumprimento do Islão, a posse de uma Bíblia é considerada crime; não é permitido às mulheres conduzir um carro nem navegar na Internet, nem lhes é permitido trabalhar, estudar ou viajar sem o consentimento de um protector masculino.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

RENDIMENTO BÁSICO PARA TODOS - 30.000 MERCENÁRIOS NA SÍRIA E NO IRAQUE - SABIA ISTO DA SÍRIA?



O Governo finlandês tenciona, a partir de 2017, testar a introdução de um rendimento básico para todos, não ligado a condições. Segundo uma pesquisa da Agência da Segurança Social finlandesa (KELA), 69% dos entrevistados são a favor de um tal plano de 1000 € mensais. Pensam assim atrair mais pessoas para o mercado de trabalho, dado no sistema actual serem diminuídos os benefícios sociais a quem faça trabalhos adicionais. Em 0utubro a taxa de desemprego na Finlândia era de 9%. Um tal plano pouparia emprego burocrático e de controlo ao Estado-Providência; o Estado pensa com esta medida reduzir os seus custos.
Segundo a HNA 9.12.2015, a Alasca introduziu, em parte, o rendimento básico em 1982. Crianças e adultos recebem dividendos de fundos de matérias-primas. Em 2008 receberam 3.269 € no ano. Na Suíça discute-se no sentido de, a partir de 2016, ser introduzido um rendimento básico de 2.000€.
Uma tal regulamentação seria muito humana, até porque, quem hoje depende da Assistência Social, deixaria de ser controlado e por vezes humilhado, mas traria também o perigo de fomentar aqueles que não se interessam por contribuir para o bem-comum. Quem se contentasse com o rendimento básico correria o perigo de, com o tempo, cair no isolamento e, deste modo, perder laços que o ajudariam nos contactos sociais.
O capitalismo conseguiria oferecer mais benesses que qualquer sistema comunista idealizado. As pessoas trabalhariam por querer e não por ter de trabalhar.
Neste sentido penso que seria também muito oportuna uma legislação que limitasse o ordenado líquido de quem trabalha a um máximo de 10 mil euros mensais para uso pessoal; quem ganhasse mais do que esse ordenado deveria ter a hipótese de criar uma Associação de beneficência cultural-social. Deste modo a reputação seria orientada pelo serviço ao bem-comum.
António da Cunha Duarte Justo
30.000 MERCENÁRIOS ESTRANGEIROS A COMBATER NA SÍRIA E NO IRAQUE
Segundo analistas internacionais encontram-se entre 27.000 e 31.000 jihadistas estrangeiros ao serviço das milícias terroristas do ISIS na Síria e no Iraque. A maioria dos extremistas vem da Rússia e da Asia Central. 6.000 vêm da Tunísia e da Arábia Saudita 2.500. Os islamitas são recrutados em 86 países; da Alemanha encontram-se 760 ao serviço do IS, segundo relata a Soufan Group. 
O ISIS é o produto do fascismo muçulmano e do imperialismo do ocidente fomentado sistematicamente por Arabia Saudita e Katar. A religião assegura o apoio das massas.
Junto aqui uma informação divulgada na Internet:
“SABIA ISTO DA SÍRIA?
A família Assad pertence ao Islão tolerante da orientação Alawid.
As mulheres sírias têm os mesmos direitos que os homens ao estudo, à saúde e à educação.
Na Síria as mulheres não são obrigadas a usar burca. A Shária (lei Islâmica) é inconstitucional.
A Síria é o único país árabe com uma constituição laica e não tolera os movimentos extremistas islâmicos.
Cerca de 10% da população síria pertence a alguma das muitas confissões cristãs presentes desde sempre na vida política e social.
Noutros países árabes a população cristã não chega a 1% devido à hostilidade sofrida.
A Síria é o único país do Mediterrâneo que continua proprietário da sua empresa petrolífera, que não quis privatizar.
A Síria tem uma abertura à sociedade e cultura ocidentais como nenhum outro país árabe.
Ao longo da história houve cinco Papas de origem síria. A tolerância religiosa é única na zona.
Antes da guerra civil era o único país pacífico da zona, sem guerras nem conflitos internos.
A Síria é o único país árabe sem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
A Síria foi o único país do mundo que admitiu refugiados iraquianos sem nenhuma discriminação social, política ou religiosa.
Bashar Al Assad tem um suporte popular extremamente elevado.
Sabia que a Síria possui uma reserva de petróleo de 2500 milhões de barris, cuja exploração está reservada a empresas estatais?
Talvez agora consiga compreender melhor a razão de tanto intere$$e da guerra civil na Síria e de quem a patrocina...”
ALEMANHA INTERVÉM CONTRA AS MILÍCIAS TERRORISTAS DO ISIS
O atentado de Paris provoca a mesma reacção dos Aliados contra o “Estado Islâmico” no Iraque e na Síria como em 2001 o atentado terrorista de 11 de Setembro nos USA contra Al-Qaida e Mujahedins no Afeganistão. A Alemanha participa na declarada “guerra”, com um contingente de 1200 soldados e com 6 aviões Tornado de reconhecimento e com um ou dois aviões-tanque. O governo fundamenta o seu intento com o argumento da autodefesa e do dever de assistência à França: UN-Charta, art.º 51 e o Tratado EU, artº. 42. O parlamento alemão permite, ainda antes do Natal, a participação na guerra. Disto saem enfortecidos o aparelho de guerra e os serviços secretos. Em tempos de medo o aparelho do Estado engorda a custo da perca das liberdades civis.
António da Cunha Duarte Justo

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

ADVENTO – EXPRESSÃO INDIVIDUAL E SOCIAL DE ESPERANÇA E ALEGRIA





António Justo

Por todo o mundo ocidental, mas especialmente nos países nórdicos, o tempo de Advento e de Natal impregna o ambiente de uma atmosfera quase espiritual. Muitas pessoas decoram, também, uma árvore do seu jardim (a árvore e a cruz são símbolos da Vida). Em grande parte das janelas das casas, as pessoas colocam luzes e decorações luminosas muito variadas. Nas famílias, no primeiro Domingo de Advento, é tradicional oferecer-se, a cada filho, um Calendário do Advento com 24 portas; nelas, os pais colocam pequenos presentes, sendo as portas abertas uma por dia.
Também não falta na mesa de cada lar as Coroas ou Grinaldas do Advento (símbolo do amor e da aliança entre Deus e o Homem) com quatro velas grandes significando as semanas do advento; em cada Domingo se acende uma vela (como sinal do domínio sobre a treva) até que, no quarto Domingo, a Coroa passa a ter as 4 velas acesas. Cada vela é acesa no Sábado à tarde dado o Dia (Domingo) começar liturgicamente nas Vésperas. A coroa do advento também se encontra, por vezes, em prédios públicos de diferentes instituições. Para muitos, a simbologia passa desapercebida e tudo isto se celebra mas sem qualquer conotação ou significado religioso. As luzes do Advento são símbolo de Cristo com luz do mundo.
O presépio (com símbolo religioso expresso) e a árvore de natal também fazem parte do requisito do decoro e da decoração.
Advento significa chegada; nestas quatro semanas, (do tempo do silêncio, da promessa) que precedem o Natal, prepara-se a consciência para a chegada de Deus ou descoberta dele, na forma de Jesus Cristo, no interior de cada um. O Ano litúrgico (ano da Igreja) começa no primeiro domingo do advento sendo iniciado com um tempo do jejum, o tempo da reflexão, do recolhimento e do exame de consciência.
Também para as crianças os rituais têm grande valor para a sua vida porque a sua vida é estruturada e a repetição cria confiança e transmite a ideia de ordem numa vida contínua embora em círculos que se fecham.
Assim aprende-se a acabar algo iniciado, a liberar-se dele e a permitir-se o novo. Nesta dinâmica a História recebe o sentido a partir do fim.
O cristão, neste ”tempo„, é convidado a interiorizar o exemplo de João Baptista (símbolo de preparação e de esperança) anunciador da Boa Nova que se realiza em Maria, o templo onde se dá o encontro do Céu e da Terra. Toda a luz (energia) surge do interior e irradia como a luz da vela para iluminar a escuridão. Em cada ser humano, uma mistura de céu e terra, se encontra a luz que brilhar mais ou menos na consciência.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo, www.antonio-justo.eu

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Homem e a Natureza a Caminho com o Espírito (Paráclito): ECOLOGIA E TEOLOGIA



ECOLOGIA E TEOLOGIA
Bom é o que ajuda, conserva e fomenta a Vida
Por António Justo
Em épocas passadas, em que a terra não se encontrava tão povoada, a natureza ainda era apercebida como ameaçadora do Homem, como algo a ser dominado por ele; hoje inverteram-se os termos, pois o ser humano, ao apoderar-se da terra sem respeito por ela, tornou-se consequentemente numa ameaça a ela.
Se ontem o Homem se encontrava numa fase de luta pela própria sobrevivência, acentuando, consequentemente, para seu desenvolvimento uma teologia antropocêntrica, hoje, que se torna urgente a luta pela sobrevivência da vida no planeta, é óbvio o desenvolvimento de uma teologia da ecologia (1) mais ecocêntrica, dando mais relevo ao fundamento teológico num trabalho interdisciplinar mais comprometido com a “nossa Casa comum”, “a nossa irmã Terra” que se sente ferida e ameaçada, como adverte Francisco I na Encíclica ecológica “Louvado Sejas”. As ciências, a tecnologia e a teologia devem estar para o homem e não o homem para elas.
Pressupõe-se que as ciências naturais terão de abandonar a ideia mecanicista/materialista do mundo e a ciência teológica e filosófica terá de mitigar o seu antropocentrismo para aprofundar a ética de respeito pela natureza e suas criaturas como pregava e praticava Francisco de Assis e por uma bioética de respeito pela vida e seu desenvolvimento, como defendia e praticava Albert Schweitzer. Este, que era médico teólogo e filósofo, no livro “Cultura e ética, Ética do Respeito à vida”, reconhece, nos animais e nas plantas, a qualidade de nossos semelhantes, “pelo facto de aspirarem como nós à felicidade e conhecerem o medo e o sofrimento, sentindo pavor do aniquilamento como nós”. A compaixão que sente pelos pobres sente-a também em relação aos seres vivos: “bom é o que ajuda, conserva e fomenta a vida”.
Albert Schweitzer queria ver o espírito do Evangelho aplicado a toda a criatura como verificava no ideário jainista da Ahimsa (a não violência para com todo o tipo de ser vivo). A nossa compreensão deve implicar a consciência de “sou vida que quer viver rodeada pela vida que quer viver”.
Consequentemente, a ética não deve ser apenas antropocêntrica ou sociométrica mas sim uma ética universal que tem como objecto todos os seres vivos e que surge do contacto com o universo e da vontade nele manifesta.
De uma Teologia acentuadamente monoteísta para uma Teologia panenteísta (trinitária)
A ecologia é o “estudo da casa”, estuda a natureza e as inter-relacionações dos diferentes seres nos ecossistemas e a teologia estuda (o espírito da casa) o seu tecto metafísico e o espírito divino presente nas pessoas, nas coisas e nos diferentes socio-sistemas.
Deus é pai e mãe, é céu e terra, em Jesus é nosso irmão; Deus é relação, é a matriz de todas as relações não se extinguindo em formas antropomórficas, em formas gramaticais, em leis naturais, nem tão-pouco nos princípios da feminilidade (com a maternidade) e da masculinidade (com a paternidade). É porém bem verdade que, devido à predominante acentuação do princípio masculino na sociedade, se torna hoje bem necessário dar maior relevo ao princípio da feminilidade (maternidade) de forma a haver um equilíbrio mais divino entre o ser humano e a natureza, entre o dar e o receber. Para conseguirmos paradigmas de mudança e de sustentabilidade em relação à modelação da natureza e da sociedade torna-se absolutamente necessária uma visão mais feminina (feminina e não feminista máscula!) a nível de pensamento, antropologia, sociologia e teologia.
A abordagem teológica da ecologia está implícita na trilogia cristã e mais especificamente na pneumatologia. Os prementes problemas da ecologia tornam mais óbvia uma elaboração teológica de cristianismo integral e consequentemente uma abordagem mais centrada no mistério da Trindade que integra a criação resumida em Jesus Cristo, o protótipo da vida como caminho de Deus, do Homem e da natureza, também no espaço e no tempo.
O ser humano não foi chamado para explorar e dominar (Gn 1,28) a natureza numa perspectiva antropocêntrica cartesiana e newtoniana, mas para cuidar e cultivar (Gn 2,15) o planeta, assumindo um papel de responsabilidade e de respeito pelo mundo. Mestre Eckhart avisa: “Se a alma pudesse conhecer a Deus sem o mundo, o mundo jamais teria sido criado”.
Para Teilhard de Chardin, que defendia o Panenteísmo cósmico (tudo em Deus), a Terra é composta de várias camadas esféricas: Barisfera ou núcleo metálico terrestre; Litosfera ou camada de rochas; Hidrosfera ou camada de água; Atmosfera ou camada de ar; Biosfera ou esfera da vida; Noosfera ou esfera do pensamento ou espírito humano: Cristosfera ou âmbito de Cristo. (2)
Numa perspectiva de revelação e de fé cristã tudo está relacionado numa interacção ambiental social, mental e espiritual.… De facto, Cristo (divino) e Jesus (criatura) encontram-se em comunhão e na união das três pessoas da Trindade.
A fórmula trinitária de Deus não conduz ao panteísmo (tudo é deus), pelo contrário, a trindade e a incarnação implicam uma teologia panenteista (uma teologia do tudo em Deus): o corpo de Cristo é o universo como interpreta Teilhard de Chardin. Francisco de Assis via como próximo também o irmão sol, a irmã lua, a irmã natureza e os irmãos animais. O mundo atinge a sua maior complexidade da natureza no ser humano, a floração da imagem de Deus.
A teologia vai-se renovando e reagindo aos diferentes padrões de sociedade segundo a percepção humana: em eras passadas para expressar a relação Deus-homem, Deus-sociedade insistia na metáfora de pai e de rei e de filho de Deus, enquanto hoje, numa era em que se precisa de uma consciência mais comprometida com a ecologia, a teologia precisa de uma acentuação da fórmula da Trindade na explicação da relação Deus-nundo: natureza onde o gene divino germina e filiação divina do Homem. Esta consciência complementar, mais abrangente, leva a melhor sentir o que a liturgia da missa expressa ao celebrar o mundo como corpo de Cristo, o pão como presença divina.
O Papa Bento XVI, em 2009 na Festa da Santíssima Trindade, apontava para a teologia de Teilhard de Chardin ao afirmar: "Em tudo o que existe, encontra-se impresso, em certo sentido, o "nome" da Santíssima Trindade, pois todo o ser, até as últimas partículas, é ser em relação, e deste modo se transluz o Deus-relação; transluz-se, em última instância, o Amor criador… Utilizando uma analogia sugerida pela biologia, diríamos que o ser humano tem no próprio "genoma" um profundo selo da Trindade, do Deus-Amor…  que a liturgia não seja algo ao lado da realidade do mundo, mas que o próprio mundo se torne hóstia viva, se torne liturgia. É a grande visão que depois teve também Teilhard de Chardin: no final teremos uma verdadeira liturgia cósmica, onde o cosmos se torne hóstia viva."
A cristologia contém a Kenosis – o esvaziamento divino (Fil.2, 5-7).  Através da incarnação Jesus Cristo deixa na sombra os atributos divinos continuando, muito embora, a ser parte da Trindade passando a tornar-se dependente do Espírito Santo, tal como acontece com toda a outra criatura (a criação). A divindade não tem forma mas através da kenosis adquire forma em Jesus. O processo trinitário pressupõe em contrapartida que o ser humano se esvazie (kenosis) do mundo para atingir a dimensão do “ informe” numa ética de corresponsabilidade entre os seres e com o Paráclito.
O teólogo Leonardo Boff em Teologia e Ecologia ( http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/13163/13163_4.PDF) acentua também ele a fórmula trinitária panenteista dizendo: “Tudo não é Deus. Mas Deus está em tudo e tudo está em Deus, por causa da criação, pela qual Deus deixa sua marca registrada e garante sua presença permanente na criatura (Providência).”
Já por volta de 1.500 a.C. a sabedoria indiana pressentia a realidade Jesus Cristo, como protótipo de toda a realidade e como ponto de encontro, ao qual os diferentes caminhos das culturas vão dar, explicando: “O criador dorme na pedra, respira na planta, sonha no animal e acorda no Homem” (Outra formulação: “O Espírito dorme na pedra, sonha na flor, acorda no animal e sabe que está acordado no ser humano”). No credo cristão formula-se a omnipresença do Espírito em toda a criação no seguinte acto de fé: “Creio no Espírito Santo, Senhor e Fonte de vida”.
Dizer criação é mais que dizer natureza porque implica a consciência da caminhada conjunta do todo e de cada ser no respeito mútuo irmanado pela presença de Deus. A encíclica ecológica “Louvado sejas” aponta o caminho e a meta: „A criação propende para a divinização, para as santas núpcias, para a unificação com o próprio Criador... O Espírito, vínculo infinito de amor, está intimamente presente no coração do universo, animando e suscitando novos caminhos.” E continua: Uma “verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”.
O pensamento e os princípios são como sementes que produzem diferentes frutos, daí a necessidade de se organizarem sistemas de pensamento e praxis complementares ao serviço da humanidade e da natureza (3). No Apocalipse (3,20) a mensagem é clara: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo".
António da Cunha Duarte Justo
In Pegadas do Tempo, http://antonio-justo.eu/?p=3359
Teólogo
(1)     Ecologia é a parte da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e destes com o meio.
(2)     Cf. O teólogo e geopaleontólogo Teilhard de Chardin, em “O Fenómeno Humano”
(3)     Um Dia Santo para a Natureza, Animais e Plantas http://antonio-justo.eu/?p=1945; Ecologia e Família: http://a-justo.blogspot.de/2008/05/ecologia-e-famlia.html; Agricultura transgénica: http://antonio-justo.eu/?p=3167; O Papa verde: http://antonio-justo.eu/?p=3183; Encíclica sobre Ecologia: http://antonio-justo.eu/?p=3191