COMO PROTEGER-SE DA PRESENÇA TÓXICA NA SOCIEDADE
Somos feitos de Informação e ter-se a Consciência dela é o Pré-requisito
para se ser livre
Nas sociedades
avançadas assiste-se a um sentimento crescente de desconforto e a um aumento de
doenças nas populações. No contacto com amigos e conhecidos verifica-se que
muitos sofrem de solidão, de falta de sentido, de medo do futuro e com
depressões, devido à presença exagerada dos Média e da política no espaço
público; em geral, o cidadão já não se sente em casa na sociedade nem no mundo
em que vive. Também a sensação de se ser ameaçado em espaços públicos pela
violência importada está a crescer cada vez mais sem que os políticos sejam
realistas e politicamente sensatos e pensem as coisas até ao fim; em vez de
tomarem medidas adequadas escondem-se em ilusões ou “discursos dominicais”.
Pequenas e grandes coisas são aproveitadas pelo discurso político-partidário e
criam reacções histéricas na política, nos meios de comunicação social e na
população. No meio disto tudo a estrutura social perdeu a sua estabilidade
anterior.
E surgem até
relações ácidas dentro de famílias e grupos de amigos...
Como somos feitos
de informação genética e cultural... e sobretudo conduzidos por informações
transacionais de caracter executivo, domina uma opinião pública autoritária
(publicitada) que reprime a formação de uma opinião individual própria e
responsável...
Também deveria ser chegada a hora de tocar todas
as campainhas de alarme na sociedade, quando a colectividade em geral se torna
cada vez mais doente e quando em universidades alemãs, como na Uni Kassel, se
verifica que mais de um quarto dos estudantes são cronicamente doentes, com 22%
dos estudantes a sofrer de doenças mentais (psicológicas)...
O estado de saúde subjetivo aumentou especialmente
devido ao impacto das Medidas contra a Pandemia e com a implementação da guerra
na Ucrânia e nos nossos meios de comunicação. Uma emoção
social implementada com fins menos claros chega a provocar em muitos de nós a
mutação do próprio eu levando-o a identificar-se com a vontade da opinião publicitada.
Esta alienação de nós mesmos torna-se destrutiva a nível individual e de
sociedade. (Demolidora da pessoa porque a instrumentaliza e arrasadora da
sociedade porque entregue a quadrilheiros sem respeito nem noção do que é uma
sociedade de Irmãos a criar).
Então deixamos de viver nós mesmos e a sociedade
passa a viver em nós sem que tenhamos a possibilidade de controlo sobre ela...
Chegados a este sofrimento há que tomar medidas
bastante radicais no sentido de se proteger e defender a própria alma de
influências tóxicas externas...
Nesse sentido é de começar a fazer-se abstinência no
consumo de Telejornal ou de outros programas que criem ansiedade e preocupação
e isto até por uma questão de higiene mental. Como
alternativa há a hipótese de se recorrer à Mediateca...
Geralmente escolhemos os melhores produtos
culinários para termos o prazer de alimentar bem o nosso corpo. O mesmo cuidado
há que ter na escolha do que se consome para formarmos a mente e a alma...
Naturalmente a vida que nos
é dado ter ocupa-nos demasiado não nos deixando tempo para reflectirmos e notarmos
o que se passa, bem como o que fazemos e seus porquês.
Neste
caso, só pode ser útil arranjar-se tempo para reflexão; de facto todos nós
precisamos de ter um tempo só nosso. Tal como o nosso estómago precisa de cerca
de três horas para digerir os alimentos corporais também o nosso espírito
precisa de momentos e espaços próprios para reflectir tudo o que entra na nossa
mente...
A reflexão ajuda-nos a tornar-nos conscientes de
nós próprios e das nossas necessidades, também de gozos corporais e espirituais
que para serem eficientes terão de acontecer sob a direção da própria
consciência desperta...
Além do mais, todos nós, cada pessoa e cada célula se encontram
interligados e em ressonância com o todo, que para uns se expressa em Deus e
para outros no universo/natureza... A
reflexão regular sobre os próprios valores, objetivos e prioridades ajuda-nos a
ter mais clareza sobre as próprias/autênticas necessidades. Doutro modo somos levados a correr atrás
das necessidades da moda, mas não das nossas...
(Neste sentido imagine-se
que cada pessoa escrevia um diário e a história da sua vida!) ...
Não é fácil integrarmos no
nosso dia-a-dia estratégias importantes que nos protejam contra influências
externas e efeitos tóxicos pois já desde pequeninos fomos condicionados a seguir
o que outros queriam e até a obedecer sem saber porquê. Por
isso temos uma certa dificuldade em dizer “não” quando nos sentimos
sobrecarregados e sem tempo para nós mesmos, aquele tempo que precisaríamos
para nos sentir bem...
Vivemos sob a pressão criada
de termos que nos ordenar do lado do “bom” ou do “mau” e por isso as opiniões
pessoais são destituídas e com elas a própria criatividade porque à opinião pessoal real não é
possibilitada também a alternativa de se poder posicionar entre o bom e o mau e
para tal não há espaço por causa dos
padrões maniqueístas que dominam a sociedade e o indivíduo. Relevantes actores
a agir no palco da sociedade, por razões de poder, não deixam espaço para a
dúvida criativa porque esta, assumida pessoalmente, se tornaria na certeza
individual que os destronaria. Sem alternativas ao dirigismo centralista
anónimo permanece como consequência a tribalização da sociedade....
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9326