domingo, 21 de janeiro de 2024

60° ANIVERSÁRIO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA A ALEMANHA

Em 2024 comemora-se o 60° aniversário do início da emigração portuguesa para a Alemanha a partir dos anos 60.

Como contributo, apresento aqui os textos que tinha escrito em 2014 e que então estava a organizar para serem apresentados em livro sob o título “EMIGRAÇÃO PORTUGUESA DOS ANOS 60 ATÉ 2014 -Testemunho de uma História de Histórias por contar” e que não cheguei a publicar.  Dados e Estatística relevantes relativos à emigração posterior a 2014 podem ser consultados na nota (1).

 

EMIGRAÇÃO PORTUGUESA DOS ANOS 60 ATÉ 2014

 

Testemunho de uma História de Histórias por contar

 

A 13 de setembro de 2014 a comunidade portuguesa na Alemanha celebrou o 50.º aniversário da entrada em vigor do acordo bilateral entre Portugal e a Alemanha para recrutamento de trabalhadores. Esta efeméride deveria constituir motivo para as instituições portugueses reverem os passados 50 anos de uma política sem grandes efeitos visíveis na comunidade nem na sociedade alemã e também oportunidade para a sociedade portuguesa reconhecer o contributo dos emigrantes para o desenvolvimento do país com as remessas e intercâmbios possibilitados.

Procurarei integrar aqui o rigor crítico e a subjetividade, numa mistura de “saber de experiência feito” e de teorias sobre os fenómenos migratórios. Faço-o, com todo o carinho e respeito, por aquela parte de Portugal, geralmente, esquecida e ausente. (Também a minha biografia é uma filigrana de migrante, toda ela feita de cá e lá numa atmosfera de saudade, como a dos 4,5 milhões de emigrantes lusos e lusodescendentes espalhados pelo mundo!) ...

O texto inteiro pode vê-lo no Link de Pegadas do Tempo, em baixo indicado! Aqui apenas os Subtítulos:

Emigração temporária e permanente; A Adesão ao Espaço Schengen modifica os Perfis de migração; Emigração à luz da legislação portuguesa - Sob o signo da mudança; Ensino e cultura portuguesa à tona da política europeia; A Realidade do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP); Emigrantes a Presença e as Remessas; Intenções de Apoio ao Investimento; Imigração: Portugal torna-se também país de imigração a partir dos anos 90; Migrantes na Engrenagem Macroeconomia-Estado; A Fatalidade do Envelhecimento e da Emigração; Emigrantes sob os Ventos da aculturação e da inculturação; Venturas e Aventuras dos Emigrantes; Os Malefícios de uma Mentalidade de Desobriga; Sou emigrante com asas de arribação; Minha Vida na Mala; Emigrante: Um Recurso político e económico desperdiçado; Contributo do E/Imigrante não reconhecido na Opinião pública; Emigração empacotada em Papel couché; Crie-se um Ministério das Comunidades e da Lusofonia; Bilinguismo – A Vantagem de Ser Diferente; Correntes Migratórias; Estrangeiros que deram tudo em troca de nada; Historial e Situação do Ensino de Português; Desresponsabilização do Ensino por Portugal; Repensar a Democracia e remodelar o Estado; Na Era da Informação e dos Lóbis monopolistas; Por uma Democracia participativa; Início de uma nova mentalidade democrática; União Europeia incomodada com a votação suíça redutora da imigração; Memória e Recordação - Fatores de identidade e identificação; Europa dos ricos contra a europa da periferia; Países com Estado mas sem Soberania; Entre Política provinciana e Política de Comparsas institucionais; Um Povo ainda agarrado ao seu Gosto de sofrer; Eusébio Exemplo de Lusitanidade; Ocidente - Uma Cultura a gerar Filhos de Ninguém; O Porquê da Crise!; Monocultura latifundiária contra a Pluralidade do Habitat cultural...

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8969

 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

NOVO ENFOQUE NO MOLDAR DA MORALIDADE

 

Velho Adão ao encontro do Novo Adão

O Papa Francisco ao viabilizar a bênção a pessoas em situações irregulares dá início a uma teologia moral mais virada para a misericórdia e para a graça do que para o pecado. A bênção de homossexuais e a reintegração de divorciados na Igreja é o sinal de uma mudança de perspetiva moral com ênfase na compaixão, acolhimento e encontro, em vez da ênfase de tipo exclusivo na condenação e na culpa.

O Santo Padre, ao assinar o documento do Dicastério para a Doutrina da Fé,  Fiducia supplicans (1), veio provocar mais ondas num oceano já muito agitado no Caminho Sinodal da Igreja! Isto levou o Papa, no passado 13.01, a explicar que na Igreja Católica se abençoam pessoas e não o pecado (2), quando falava a 800 padres da diocese de Roma...

A nova abordagem pastoral iniciada pelo Santo Padre não implica uma mudança nos ensinamentos fundamentais da Igreja Católica sobre a moralidade, mas sim uma ênfase diferente na aplicação desses princípios à vida cotidiana e às situações específicas. O Papa procura abordar as pessoas com compreensão e cuidado pastoral, numa atitude de encontro pessoal, reconhecendo a complexidade das situações individuais. O facto de sermos seres condicionados, não 100% livres, condiciona também as avaliações morais e de valores. Em questões de moral, no âmbito católico, “a consciência é o primeiro de todos os vigários de Cristo” (4) ... A Igreja na qualidade de comunidade religiosa afeta a pessoa inteira com corpo, psique, alma e espírito; por isso, e devido à sua missão, será de sua natureza ir ao encontro da pessoa e embarcar com ela a partir do lugar onde esta se encontra... Com isto a Igreja não subestima a sua missão de apelar à responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade no sentido do bem corporal e espiritual.

Daí a necessidade de integrar na visão humana a “Felix Culpa” (como refere Sto. Agostinho, o pecado de Adão e Eva possibilitou o anseio à perfeição que culmina na vinda do segundo Adão); no âmbito das possibilidades, o erro de Adão inerente ao ser humano e à instituição, que se repete nas biografias humanas e nas instituições pode também ele tornar-se em mal menor como fator de desenvolvimento; de facto também ele  possibilitou tornar visível na História Humana as pegadas da memória cristã (a Igreja) e desenvolve na pessoa humana o desejo de se aperfeiçoar e crescer. A nível sociológico e histórico se não tivesse havido o momento da culpa assumida exponencialmente a nível histórico no imperador Constantino e no movimento das cruzadas, hoje o Cristianismo estaria apenas presente em grupos de vida sem ter tido a possibilidade de humanizar institucionalmente a civilização ocidental. A Graça acontece a nível de relacionamento, de relacionamento pessoal e uma bênção não se fixa na forma do relacionamento porque esta é transcendida na ligação pessoal intrínseca que possibilita a relação de amor pessoal e o vínculo entre dois...

A “bênção pastoral” de pessoas a viver em situações irregulares é testemunho de um amor, não apenas carnal; ela aponta para a relação humana integral de que faz parte essencial a dimensão espiritual...

Para nos entendermos não chega fixar-nos numa forma de linguagem puramente racionalista e masculina. A linguagem poética é a forma mais adequada para se falar do amor e para se falar de Deus e da vida; ela tem um caracter mais criativo, mais feminino! O símbolo e o mito apontam para uma realidade superior à expressa na linguagem e no texto...

Jesus Cristo não se reduz à doutrina nem ao texto, ele é pessoa, o evento humano-divino, o acontecer do “tempo Cairos” (o presente eterno) a resgatar o tempo Cronos (do calendário) na pessoa e na sociedade...

A acentuação pastoral no amor (sinal de uma realidade espiritual) torna-se numa chamada otimista a não nos fixarmos moral e mentalmente apenas no modelo luz-treva que pela criação nos é dado viver e adverte-nos a temperar a maneira de ver maniqueísta: um modo de vida mental-político-religioso-social  demasiadamente centrado na dualidade (oposição luz-treva)  que estamos chamados a ir superando, muito embora partindo da situação existencial de carência....

A Conferencia Episcopal Portuguesa “reconhece o acolhimento de todos na Igreja e manifesta a plena comunhão dos bispos portugueses com o Santo Padre”.  

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

Texto completo e notas em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8955

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Alemanha mais pluripartidária e com ela a Europa

 

A ALEMANHA TEM UM NOVO PARTIDO (BSW) QUE QUER SER O “PARTIDO DO POVO”


O Cenário político está a mudar-se e a mudar a Europa também na paisagem partidária. Dissidentes do partido “A Esquerda” formaram um novo partido em torno de Sahra Wagenknecht e também dissidentes da CDU (União Democrática Cristã) preparam a formação de um novo partido: o partido de Hans-Georg Maaßen como alternativa à AfD (Alternativa para a Alemanha, partido político populista de direita na Alemanha).

A ex-política de esquerda Sahra Wagenknecht fundou o novo partido BSW (Aliança Sahra Wagenknecht) em 8 de janeiro de 2024. Isso aconteceu depois de um grupo de deputados (10) ter deixado o Partido de Esquerda com ela e assim o Partido de Esquerda perdeu repentinamente os direitos de fração de esquerda no parlamento e os apoios financeiros a que tinha direito como Grupo parlamentar (De 38 deputados passou a ter só 27). O partido de Wagenknecht integra nele princípios da esquerda e da direita.

Parece incrível que um partido seja criado em torno de uma pessoa, o que também mostra uma espécie de sinal dos tempos em que se pode observar a fragmentação do cenário político europeu.

Sahra Wagenknecht lidera o novo partido numa dupla liderança com Amira Mohamed Ali. Os principais candidatos do BSW às eleições europeias de 9 de junho são Fabio De Masi (ex-político de esquerda) e Thomas Geisel (ex-político do SPD).

Wagenknecht, de 54 anos, vê no partido “o potencial para mudar fundamentalmente o espectro dos partidos alemães e, acima de tudo, para mudar fundamentalmente a política no nosso país”.

O objetivo é “empregos bem remunerados e segurança social, investimentos em um “sistema de preços justos”, na educação e infraestruturas.

O partido é contra o fornecimento de armas à Ucrânia e apela a negociações de paz imediatas, é contra movimentos extremistas do género, contra o excesso de migração (migrantes como concorrentes por benefícios sociais, empregos e habitação) e contra os carros a combustão.

Como partido com a bandeira da razão e com uma voz crítica anti-establishment, posicionar-se-á certamente melhor no panorama partidário do que o FDP e o Partido de Esquerda; como partido empático e que percebe o estado de espírito do povo terá boas chances em eleições futuras.  

Medidas do governo não aferidas com a realidade criaram um aziúme e insatisfação no povo contra o governo. O novo partido BSW conseguirá para si um pedaço do bolo da AfD.  Por outro lado, cria um pouco de paz nos partidos do arco do poder que se viam ameaçados pela ascensão acentuada da AfD que era na Alemanha a única oposição ao governo e nas sondagens atuais contava com 34%.

Neste contexto também a estratégia de difamação orquestrada pelos partidos do arco do poder contra o novo concorrente, beneficiará o novo partido BSW.

O cenário político está a mudar na Europa! O tempo dos grandes partidos não se manterá na era da informação. Só uma boa governação poderia evitar críticos chamem-se eles AfD ou Chega!

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8945

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

ALEMANHA - UM PAÍS EM TURBULÊNCIA

 

Agricultores paralisam o país

O governo federal precisa de dinheiro para moldar a política no mundo e para transformar também ideologicamente a própria sociedade; por isso tem tomado medidas restritivas em vários sectores da sociedade e quis abolir os subsídios ao gasóleo dos agricultores. A segurança e a agricultura são a base de um Estado soberano, razão pela qual também a agricultura deveria ser protegida pelos políticos.

Na UE a agricultura tornou-se completamente dependente de subsídios e, ao mesmo tempo, é controlada por regulamentação e burocracia desproporcionais (a política agrícola da UE promove grandes empresas agrícolas em desfavor da agricultura de pequena escala).

Na Europa atual, as regulamentações são impostas de cima, mais pela ideologia do que pelos especialistas. De facto, na UE, os Partidos Verdes - habitantes das cidades que vivem longe do campo - dirigem a política agrícola europeia com regulamentações constantes que colocam os agricultores em constante stress e, além disso, os agricultores são vistos por muitos como pragas ambientais. Os agricultores estão indignados e ao lado de outros atores doutros sectores movimentam os ânimos de todo o país com manifestações de tratores (com a maioria da população a apoiar a manifestação). 

Há acusações de representantes do governo alemão de que as manifestações dos agricultores estão a ser infiltradas por extremistas de direita. Mas isto foi contradito pelos organizadores das manifestações atendendo ao bom andamento das mesmas. A acusação de extremismo de direita é regularmente utilizada pelo sistema quando faltam argumentos factuais que justifiquem o seu agir (embora pequenos grupos de extremistas de direita e também de esquerda tentem, por vezes, perturbar manifestações pacíficas e abusar delas no sentido dos seus próprios fins). Também durante a crise do coronavírus, os críticos das medidas anti Corona foram rotulados de “direitistas” e “inimigos da democracia”. Os cidadãos já perceberam isso e não se deixam impressionar; muitos deles retiram-se para as suas vidas privadas.

 

O governo alemão quer redirecionar imensos fundos públicos para implementação da indústria militar, tecnologias de ponta e outros sectores de futuro como o energético, sector importante para indústrias viradas para a exportação.

Neste sentido, determinou cortar subvenções aos agricultores e reduzir os gastos sociais. Porque as medidas tomadas ferem principalmente as empresas agrícolas menos fortes, estas aliadas às grandes empresas organizam manifestações com tratores que provocam grande impedimento do trânsito chegado a bloquear acesso a autoestradas. O governo não consegue justificar ao povo as medidas que toma quando por outro lado emprega bilhões de euros no fomento de empresas de concorrência internacional e disponibilizou dez mil milhões de euros para a Ucrânia.

Um fenómeno novo que se observa em iniciativas cívicas e no acompanhamento de manifestações é o radicalismo acompanhante.  Manifestntes chegam a paralisar o país como é o caso de: protestos de agricultores, greves de maquinistas da ferrovia, “a última geração”, etc.

As greves dos agricultores desenvolvem-se em defesa das regalias que medidas da coligação do governo de Olaf  Scholz corta para reinvestir de modo a dar forma à viragem da mudança: 100 bilhões de euro no fomento militar.

A partir de agora, os agricultores teriam de pagar a taxa normal de imposto de 47,07 cêntimos por litro sobre o gasóleo. No entanto, podem solicitar um retorno de 21,48 cêntimos por litro consumido.

Na Europa, segundo apresenta o diário HNA 8 de janeiro de 2024, existem diferentes taxas de imposto para o gasóleo agrícola: Na Holanda, os agricultores não recebem quaisquer descontos e pagam a taxa integral de 52 cêntimos por litro. A França subsidia com 18,8 centavos por litro. Na Polónia, os agricultores não têm descontos, pagam 33,4 cêntimos por litro. Na Itália é de 13,6 cêntimos por litro, em Espanha de 9,7 cêntimos e na Dinamarca de 7,1 cêntimos por litro. Na Bélgica não existe qualquer imposto sobre o gasóleo agrícola. Com a restituição do imposto, na Alemanha os agricultores pagam 25,56 cêntimos por litro.

Os agricultores alemães consomem dois mil milhões de litros de gasóleo por ano, o que corresponde a 5% do consumo de gasóleo na Alemanha.

Em 2020 havia 263.500 explorações agrícolas e há 25 anos havia mais do dobro delas.

De acordo com o governo federal em 2020/2021, em média, as restituições de gasóleo agrícola por empresa cifravam-se deste modo: umas explorações agrícolas receberam em média 3.886€, os produtores de leite receberam 3.238€ e os fruticultores receberam 1.052€.

Os subsídios da UE representaram cerca de 57% do total de subsídios pagos à empresa em 2021/2022. O restante dos subsídios pertence aos governos federal e estaduais.

Em 2022/23, os agricultores ganharam bem; de acordo com a Associação Alemã de Agricultores, o rendimento empresarial médio das empresas agrícolas, após dedução de todos os custos, foi de 115.400 euros por empresa.

Em 2022, sete mil milhões de euros do fundo agrícola da UE foram canalizados para a agricultura e a pesca alemãs. Para efeito de comparação, segundo a HNA: “Na Alemanha só há mais financiamento para edifícios energeticamente eficientes com quase 19 mil milhões de euros, a microeletrónica é subsidiada com quase quatro mil milhões de euros”.

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8942

 


 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

A CAMINHO DO COLAPSO DA ACTUAL ORDEM MUNDIAL

 EUA - UE - Rússia - China e Índia - Pesos da Balança de um Mundo em Desequilíbrio

No tempo do mundo unipolar de cunho ocidental sobressaía uma ordem social, uma norma, uma ciência e uma verdade. Agora que o mundo se está a tornar multipolar, procurando estabelecer novas ordens, proclamam-se diferentes verdades e a ciência e as universidades deixam o seu caracter enciclopédico para se adaptarem às diferentes correntes. Em termos religiosos quase se poderia dizer que estamos a passar do monoteísmo para um politeísmo desalmadoAcompanhar a crise e a mudança confronta-nos com uma reavaliação das prioridades e valores individuais e coletivos onde o aspecto humano e a humanidade (dignidade humana inalienável-soberana e fraternidade) não parecem constar da orientação básica. Muito embora a crise possa servir como um catalisador para a mudança, nesta espreitam-nos muitos perigos, o que pode provocar em alguns um receio apocalíptico e levar pessoas socialmente empenhadas a sentir-se a caminho do colapso rápido da actual ordem mundial de cariz ocidental. Isto não tanto pela reavaliação urgente e necessária e consequentes soluções inovadoras que se observam na sociedade, mas pela acompanhante desconstrução de valores sociais, familiares, humanos etc. verificáveis nos diferentes povos europeus.

A crise sistémica global está a originar a formação geopolítica de polos rivais e a nível interno das sociedades conduz a uma polarização sociopolítica entre conservadores e progressistas; especialmente na Alemanha pode observar-se uma viragem do pacifismo para o militarismo tanto a nível de  “esquerda” como de “direita”,  ganhando-se a impressão de que o que mais determina a história são factos criados autoritariamente na base do nacionalismo económico-militar: uma nova estratégia talvez compreensível na crise da passagem da realidade histórica de nações para uma organização de supraestruturas de Estados...

São mais que visíveis os sinais da mudança da atual matriz social para uma nova ordem mundial: a decadência da civilização europeia e do modelo monopolar ocidental; alinhamento de países em torno de núcleos, exemplo Brics; desmontagem e apagamento  da cultura de cariz europeia e da pessoa humana no sentido de ser criado um indivíduo-cidadão funcional com a acompanhante ideológica do materialismo relativista para que este se torne compatível, com uma nova ordem (segundo o espírito de Klaus Schwab,  de Elon Musk, Boros, etc.); transferência do poder político para o administrativo, provocando também a crise do pessoal político que tem de abdicar da essência da sua personalidade ; o fórum de Davos encontro de poderes  à escala global não só como coordenação de políticas mas também como escola de formação de elites para uma política centralista de agendas e ONGs; deslegitimação da família e do estado acompanhada da desqualificação da moral tradicional (a ser desligada de usos e costumes) para a legitimação de uma nova moral meramente racional e funcionalista ser aceite: nesta luta o cristianismo é a mundivisão mais atacada por fazer parte essencial das bases da civilização ocidental (ao lado da filosofia grega e da organização romana) e defender a soberania da pessoa e a sua dignidade humana individual e por manter uma profunda interligação entre natureza e cultura, quando os novos estrategas querem fazer valer apenas uma nova cultura divorciada da natureza  de maneira a substituir esta e assim a legitimar a imposição de ideologias ad hoc;  deste modo legitimam o estabelecimento de um poder abstrato aleatório universal contra instituições originadas natural e organicamente como a família, a tribo, a nação. Com a centralização do mundo distribuída por blocos, o factor estratégia passa a ser mais importante do que o factor liderança (governo) fomentando-se na consequência o relativismo da moral, das instituições e das mundivisões. O caos pode legitimar o surgir de uma nova ordem, está já não natural em conformidade com a criação, mas artificial.

O Norte e o Sul global encontram-se num período intermédio entre a velha e a nova ordem mundial surgente. Os arquitectos do poder já há muito trabalham de forma mais ou menos clandestina na sua forja de maneira a criar uma nova têmpera cultural europeia. Entrementes, vive-se a fase de agitação e de erosão da Europa, enquanto nas periferias dos blocos se dão guerras possibilitadoras de novas orientações e da ordenação de novas constelações a surgirem também na Ásia e em África. A formação de uma nova ordem ou de novas ordens no espectro mundial fomenta e legitima acções criminosas. À imagem do que acontece nos fenómenos geológicos e climáticos observam-se mudanças política-geográficas devido aos ventos ciclónicos da política dos EUA /OTAN em direção ao Leste, e da Rússia-EUA sobretudo na Ucrânia, da luta de interesses entre China e EUA em torno de Taiwan (disputa pelo Pacífico) e política otomana da Turquia (Erdogan) no Médio Oriente e no Leste da Euro-ásia.

Além das mudanças na geografia, observa-se um processo de mudanças nas tarefas dos políticos, na cultura e no próprio génio das sociedades. Diferentes visões do mundo dominantes reagem de modo que a região atlântica se move numa direção e a pacífica na outra.

Acompanham-nas uma mudança no papel e função da política e dos políticos! Os governos deixam de o ser porque se encontram sujeitos a uma reestruturação dos papéis políticos que anteriormente eram de caracter mais pessoal-regional e orgânico e agora passaram a ser transformados em administradores e aplicadores de agendas exteriores e os parlamentos limitam-se muitas vezes ao papel de legitimadores de directivas supranacionais; Concretamente: o governante é transformado em administrador, com tendência a escapar ao Parlamento!  Passam a ser aplicadores do poder centralizado que gere através de agendas e directivas geralmente vinculativas porque confecionadas por poderes oligárquicos.

O alargamento da área geográfica e do poder dos EUA/OTAN em direcção à Rússia provocou um movimento de revisionismo na Rússia e o escalar geopolítico na Ucrânia instigou a formação de conglomerados de solidariedades entre países com o consequente alinhamento apressado em blocos enquanto algumas potências agem politicamente com mais reserva, na esperança de se tornarem também elas núcleos (Índia, Brasil).

Mundivisões religiosas e para-religiosas como o Marxismo e Maoismo vivem em confronto e agitação na consciência que até agora são as mentalidades que determinam ainda a política e os valores do mundo de hoje. A tendência de instâncias globalistas é preparar a dominância do Pacífico, mas esta só pode acontecer com uma mudança cultural progressiva das bases da antropologia e da sociologia europeia; daí o seu principal empenho na Europa.

O sul global observa que o Ocidente já não é o que era e está a perder uma guerra após outra (Iraque, Síria, Afeganistão e a instabilidade da guerra militar na Ucrânia e a verdadeira guerra de fundo que é a guerra económica europeia contra a Rússia com repercussões em todo o mundo; isto provoca a falta de confiança numa Europa que perde influência ao unir a sua política económica à política militar dos EUA.  O aumento da violência mundial já não pode ser impedido por   uma palavra poderosa de um poder hegemónico determinado, por mais poderosa que seja a sua mão. Os EUA já não conseguirem ser sozinhos os garantes da ordem mundial e dos seus valores embora continuem a ser económica, militar e estrategicamente a maior potência. A acentuar este processo de erosão da Europa, da Rússia e dos EUA vê-se chegada a era da informação que implica outras formas de domínio mais sofisticadas.

É neste contexto que os BRICS se estão a fortalecer (alguns dos membros também não querem uma ordem mundial monopolista nem bipolar.

Nesta conjuntura político-económica e geoestratégica o grande saber e grandes personalidades perturbariam o novo sistema onde a táticas e negociações hábeis se revelam mais oportunas (Neste sentido acautelava já o filósofo Platão: “O mais alto grau de injustiça é a justiça desonesta!” e na era da informação cada vez mais povo passa a dar-se conta do que se passa.

De facto, a moralidade já não está presente nos círculos superiores porque o óbvio são os interesses práticos das constelações de blocos em processo de alinhamento e não a vida das pessoas e de seus biótopos culturais-religiosos (estes parecem estorvar até políticos regionais!). A moral está a ser conectada sobretudo na linha da dimensão político-social sem o aspecto da transcendência (este é da competência das religiões que constituem um certo impedimento para a implementação de uma nova ordem de caracter meramente materialista, racionalista e profana; especialmente a religião católica é tida pelo materialismo como o maior obstáculo o que explica a intensiva luta contra ela).

Devido à liderança internacional externa, os partidos já não têm programas propriamente a longo prazo, tendo apenas de estar atentos e reagir à vida quotidiana do seu âmbito de acção e apenas à perspectiva do rito eleitoral a realizar-se cada 4/5 anos. Os quadros de orientação superior têm contrariado rumos de caracter nacional ou regional próprios; em vez disso tuteiam agendas e directivas políticas formuladas pela organização mundial ou a nível de blocos, à imagem das convenções económicas entre grupos de Estados.

Os políticos em termos de governo não se sentem interessados no que se passa na sociedade; por isso moralidade e previsão, são substituídas por accionismo e estratégia (na Alemanha, a actual coligação de SPD, FDP e Verdes tornou-se num exemplo de como não se pode nem deve governar uma vez que cada partido se esforça por servir a própria clientela em primeiro lugar ou sentem-se ao serviço de interesses geoestratégicos do grupo que seguem; os declarados inimigos (concorrentes) dos governos são entretanto, os partidos populistas europeus que assumiram o papel da  oposição aos governos!   

A diplomacia também está em crise porque nesta fase a reorientação dos países em relação aos vários blocos ainda não foi concluída. Cada bloco luta pelos seus ideais de um mundo justo com valores próprios, mas que na realidade só poderão funcionar na complementaridade!  O modelo europeu uma vez corrigido e adaptado aos vários polos civilizacionais poderia ser um ponto de partida no sentido de garantir a paz.

A ambivalência política resultado de uma geopolítica económico-militar ainda não definida desestabiliza as consciências de estados nacionais. O grande problema interno europeu tornou-se a imigração desregrada; isto causa na Europa a sensação real de maior instabilidade porque uma imigração desmedida e agressiva faz surgir nas populações o sentimento de ser culturalmente recolonizada como aconteceu no século oitavo com a invasão muçulmana. A ausência de uma geopolítica responsável aliada à decomposição da cultura europeia desestabiliza as sociedades europeias. As populações notam que razão e a realidade política já não podem ser reconciliadas e isto cria espaço para a anarquia e para o desespero. Percebe-se que os políticos e a política já não podem agir na defesa dos seus povos, limitando-se a só poderem reagir a conjunturas complexas suportadas apenas pelas populações. Nestas circunstâncias a política reage apontando para a necessidade da inclusão-formação de forças económicas e militares na esperança de maior segurança quando a consciência do povo adverte que essas medidas não podem garantir sustentabilidade nem a paz. O cidadão também não pode compreender o sentido de gastos balúrdios em guerra quando ele é obrigado a restringir-se.

Vivemos numa sociedade agitada porque as nossas cabeças e os nossos corações se recusam a unir-se e a reconhecer-se como complementares. Quem governa e quem é governado divergem cada vez mais!

A singularidade do indivíduo que é própria das sociedades de base cristã é o suporte de toda a emancipação do indivíduo da sua comunidade, facto este que possibilitou a transição de regimes políticos autoritários para a democracia e destaca o Ocidente como pioneiro dos direitos humanos.

De facto, a singularidade do indivíduo que é o verdadeiro factor de emancipação do indivíduo em relação à comunidade, começou principalmente a partir do iluminismo, a ter expressão destrutiva no momento em que eclipsa a comunidade e com o acompanhamento das ideologias materialistas se torna em estrela cadente de egos luminosos. Hoje essa tendência exagerada ganha expressão na mentalidade do pensar politicamente correcto e em algumas formas de Yoga fomentadoras de um ego isolado na sociedade ocidental! Quando praticado ao extremo, leva ao autoisolamento e a dependências arbitrárias. Uma civilização e uma sociedade não podem sobreviver nem se desenvolver baseadas apenas numa ordem de direitos individuais básicos por muito que estes se apoiem numa constituição política que cuidem da preservação dos direitos individuais na qualidade de subordinados a uma ordem meramente económico-militar como pretendem novos projectores de futuro. Direitos individuais e de comunidade pressupõem uma relação de balance na consciência de que a base da comunidade/instituição é o indivíduo.

O mundo islâmico, consciente daquilo que o faz institucional e mundialmente forte, não estava convencido da declaração dos direitos humanos de cunho ocidental e reservou-se o direito a um ajustamento sociológico-religioso dos mesmos. Os direitos básicos são concedidos, mas todo o cidadão é obrigado a ser responsável e a submeter-se à “comunidade e à família” (Umah - a comunidade islâmica). Mesmo a Turquia secularizada por Ataturk, considera a sociedade como organizada colectivamente e não como uma comunidade de indivíduos. (Ao descrever a situação não quer dizer que defenda a estratégia muçulmana ou estratégias do género).

Uma ética reduzida à dimensão social e à universalidade dos direitos básicos individuais sem referência à comunidade (família, cosmovisão e região) só pode levar ao estabelecimento de um governo central mundial ou de uma cultura suprarregional vazia e anónima que não parte da pessoa humana nem da comunidade orgânica, mas de uma burocracia e administração de dados e não de pessoas. As organizações suprarregionais no Estado formativo não são construídas organicamente e, portanto, não se desenvolvem naturalmente de baixo para cima, mas sim através da imposição de cima para baixo.

Se as comunidades islâmicas na Europa exageram o aspecto da sua comunidade cultural contra o indivíduo, os europeus exageraram o aspecto da individualidade contra a própria comunidade cultural. Nesta situação o mundo islâmico tem mais garantias de sustentabilidade e afirmação do que o europeu.

O sistema democrático está a ser destruído nas suas bases ao ver o poder político das bases diminuído ao dar-se uma transferência desadequada de competências soberanas para os centros do poder como Bruxelas estando o processo a dar-se de maneira hipócrita e enganosa (sem verdadeira legitimação das bases). Os biótopos culturais são os primeiros a sofrer as consequências (sendo substituído o particular, o que é próprio pelo que é geral, sendo esvaziada a legitimação democrática do poder); isto, como já disse,  provoca no meio da sociedade uma espécie de dicotomia entre os adeptos das novas situações político-administrativas de caracter centralista que ganham expressão nos progressistas e do outro lado reage o polo defensor do biótopo cultural, os conservadores mais vinculados também às bases e às regiões.

 À divergência entre o sentir político e o sentir das populações acrescenta-se o desfasamento das sociedades (civilizações) entre si. Por outro lado, o sentido atraso de outras civilizações em relação à civilização europeia será o bónus delas que as levará a afirmarem-se sobre a Europeia já em processo de desfasamento depois da primeira guerra mundial em que os EUA, perante a afronta da União Soviética como inimigo comum do sistema se afirmou também sobre a Europa com o apoio do Reino Unido. A Europa tem de redescobrir a comunidade sem ter necessidade de o fazer à custa dos direitos humanos desde que integrados numa comunidade cultural consciente de si e da sua responsabilidade no mundo (o poder militar cria segurança e o poder económico cria bem-estar temporário, mas sem uma comunidade oleada pela transcendência). Não chegam conglomerados em nome de valores: os assim chamados valores democráticos poderão unir elites do abstrato que estão predestinadas a viver em guerra e a sucumbir ao serem um dia confrontados com ditaduras consistentes.

A visível vantagem da China sobre o Ocidente deve-se ao facto de o seu sistema ainda possuir as estruturas e bases culturais, políticas e sociais semelhantes às que dominavam a Europa nos séculos XIV e dominam ainda hoje nos países islâmicos e em regimes autoritários; A consciência colectiva e a liberdade do indivíduo criaram as condições para a Europa se abrir ao mundo. Naquela época pensávamos coletivamente e observávamos individualmente e o vínculo entre as duas características possibilitou grandeza, domínio e opróbrio no mundo; a ideia religiosa de fazer do mundo um lugar católico onde reinasse a fraternidade, virou em domínio político e económico sobre os povos e sobre as populações. No meio de tudo isto é oportuno olhar-se a realidade sem moralismos nem pretensões de poder, mas dar-nos apenas conta de como funciona a sociedade nos seus factores componentes e olhar para a geografia do globo. Igualdade, fraternidade e liberdade pressupõem a consciência de Comunidade feita de comunidades de vida e não apenas uma sociedade feita de sócios em agrupamentos partidários. Caso contrário, aboliremos a comunidade em nome de outras comunidades e desmantelaremos a nossa. A ideia de que os direitos humanos levarão os cidadãos de outros povos a derrubar os seus próprios governantes é ilusória quando o próprio agrupamento (por Exemplo OTAN) se baseia na força e no poder em alianças militares com centros explosivos distribuídos por todo o mundo. (E depois queixam-se dos países que sabem o que significa poder mundano e procuram criar as próprias bombas atómicas como se vê em Israel, Irão, Coreia do Norte).

No passado, os povos formaram-se em torno de crenças, religiões, culturas que lhe conferiam singularidade específica e poder de expansão. Hoje inverte-se a pirâmide procurando de maneira até declarada organizarem-se já não povos, mas sociedades alinhadas em torno de áreas geográficas, da economia, das forças armadas e da correspondente doutrina. A desmitificação atinge o seu auge no secularismo prático e materialista e o povo insurge-se contra porque não quer perder a sua alma individual e colectiva. Esta crise social e civilizacional provocada pela nova ordem em via é tomada em conta pelos atuais pioneiros do novo poder a instalar-se (quer-se uma viragem anti orgânica para se instalar uma artificial).

A China parte do princípio e da realidade da comunidade e subordina-lhe o indivíduo; esta é a sua força epocal de maneira a açambarcar a responsabilidade sobre o indivíduo assumindo o comunismo como espécie de religião (alma que dá consistência ao sistema) que lhe concederá mais valia durante algumas dezenas de anos sobre o principal rival que é a USA. A sociedade ocidental segue o caminho inverso sendo as pessoas a assumirem, de certo modo, o poder e a dignidade de serem elas responsáveis pela comunidade: ideal nobre e honrado, mas para que os povos não estão preparados. (A nível prático, porém, quem mais ordena é o poder económico unido ao político-militar que se faz acompanhar pelos meios de comunicação social e pelas universidades como música de escolta; por isso o sistema social explora os ideais humanos e fixa o seu sistema na satisfação das necessidades principalmente materiais. Perdeu a mensagem de humanidade e o sentido da mensagem humana que trazia ao mundo e substituiu-a pela mensagem económica, militar e ideológica.

Nesta fase do acontecer o mundo prepara-se para contruir um grande palco de concertos onde cada concerto toca a própria música mesmo que com o desagrado do concerto ocidental que até agora determinara o ritmo da música. Os problemas ainda permanecerão, mas serão mais do caracter de sobreposição de tom e já não de ordenamento do ritmo. Cada área geográfica mundial irá afirmar-se mais em torno dos seus valores partilhados. Lamentável é, porém, o facto de a civilização de bases humanistas cristãs se ter exteriorizado de si mesma para se dedicar sobretudo ao exercício do poder pelo poder e ao domínio dos outros de maneira a tornar-se também ela numa ameaça para o mundo num mundo ameaçador. Não chega satisfazer-nos com a nossa bandeira dos valores e da democracia; a nossa sociedade e o mundo precisam de mais.

Cada bloco terá o próprio núcleo e o seu poder central como é natural. Enquanto não houver uma geopolítica mais humana a Alemanha tornar-se-á a força mais forte na EU, acolitada pela França (entretanto, os alemães apressam o seu negócio na EU procurando fortalecer apressadamente os seus vizinhos de Leste). Depois da Grande Guerra Mundial, a Alemanha queria enquadrar-se na Europa em geral, mas desde a sua mudança de consciência através da participação na Guerra da Ucrânia, sentiu-se obrigada a descobrir a sua antiga vocação pelas armas, que terá um grande impacto na Europa, apesar de se encontrar ainda manietada pelo Tratado 2+4. A Alemanha está predestinada a tentar assumir na Europa, o papel dos EUA no mundo. Como mostra o novo governo federal no comportamento entre SPD-Verdes-FDP, a mudança iniciada já não se baseia em compromissos como nos tempos de Kohl e Merkel, mas sim em posições mais duras que já são evidentes na nova atmosfera militarista no governo e na oposição. A militarização da Alemanha e a sua influência na política da UE, que pretende deixar de ser uma federação de nações, para se tornar  num  conjunto de pequenos países em torno das grandes potências da Europa, está a tentar fazer com que os pequenos países percam a sua posição de força (a força do veto) em decisões comunitárias importantes e assim, se tornarem mais  insignificantes e em favor das potências, que determinarão ainda mais a política (Isto dá-se em nome da eficiência do polo europeu no concerto dos povos mas o ridículo da questão é o facto do Primeiro Ministro português, António Costa, ser ter tornado numa espécie de porta-voz da Alemanha, defendendo, de facto, a diminuição de direitos ao nível das nações pequenas).

Na UE, como tem acontecido desde a Reforma de Lutero, o modo de vida do Norte irá afirmar-se ainda mais sobre o do Sul e, como consequência, haverá uma mudança ainda maior de transferência de poder das periferias (e dos países latinos) para o Norte. Especialmente a Alemanha, com a Amizade Franco-Alemã dominará interesses de poder mais oportunistas (para simplificar: o Anglo-Saxão irá afirmar-se) descuidando os interesses da Europa como bloco. A França e a Alemanha, mais que a nível de amizade, lidam taticamente entre si para que possam manter o comando da Europa. A Alemanha não pode tornar-se demasiado franca política e economicamente por razões tácticas. Uma táctica bem pensada para tornar os países periféricos submissos é oferecer postos de políticos regionais na UE e em fóruns internacionais de maneira a tornar os países periféricos submissos através de compromissos preguiçosos (o povo mais simples até se sente honrado ao ver personalidades portuguesas em postos internacionais altos, enquanto olham para fora não se dão conta do que acontece dentro) . Compromissos podres encorajam o egoísmo pessoal de políticos, mesmo à custa de seus países perderem a própria voz.

Em tempos de classificação e de reunião de países (como satélites) em torno do centro, passará, no debate o poder a dominar sobre o compromisso. Compromissos são exigidos aos níveis mais baixos e cujo destino é aliarem-se em torno de uma potência ou da outra (para já Berlim-Paris, depois surgirá também a Polónia desde que beneficie os interesses dos EUA).

A longo prazo o destino da Europa não estará certamente acorrentado à França (países romanos) nem à Alemanha (países anglo-saxónicos) porque, à medida que os tempos amadurecem, a Europa tornar-se-á mais independente dos EUA e virá a sua chance longínqua numa união tática com a Rússia no sentido da Euro-Ásia. Esperemos que, entretanto, o mundo amadureça e inicie uma política de paz entre povos irmãos.

A luta em voga contra a cultura europeia e a persistente desmontagem dos seus fundamentos tornaram-se no maior cancro que corrói a nossa civilização. Quando se observa em muitos dos nossos governantes tornarem-se nos seus próprios Judas e cangalheiros torna-se ainda mais triste a tragédia. A crise é motivo de ânimo, porque tudo isto é de caracter fenomenológico e a humanidade com altos e baixos saberá encontrar maneira de passar o estreito da passagem à imagem do grande português ao serviço de Espanha, Fernão de Magalhães.

Doutro modo a História ensina que no fim, como a figueira amaldiçoada, promete tornar-se lenha para civilizações vindouras se aquecerem. Hoje levantam-se os seus almocreves como profetas wokes, Gender, etc.

O apagamento cultural que se deu em muitos povos indígenas devido à colonização europeia está agora de volta no apagamento cultural europeu sendo os seus principais apagadores o socialismo marxista e maoista ávidos não de pessoas, mas de sócios e o turbo-capitalismo ávido não de pessoas, mas de clientes; no meio de tudo isto quem mais ganha é o islão e o materialismo.

Que seria da balança e do equilíbrio sem peso padrão e sem a ajuda dos pratos que conjuguem forças opostas, sem a lei da complementaridade?

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8920

domingo, 31 de dezembro de 2023

UM FELIZ E PRÓSPERO 2024

A todos os visitantes desejo um 2024 feliz e que entrem nele com muita saúde e alegria de viver, pois o melhor disto tudo é a nossa existência. Um abençoado e próspero 2024 com muita saúde, qualidade de vida e bem-estar.

 S.to Agostinho dizia: "Mesmo que já tenhas feito uma longa caminhada, há sempre um novo caminho a fazer."

António CD Justo