REFLEXÃO SOBRE A
CELEBRAÇÃO DA VIRGEM MARIA NO 8 DE DEZEMBRO
No 8 de Dezembro a Igreja católica festeja Maria que
concebe sem intervenção sexual; a Igreja quer deste modo convidar as pessoas a
reflectirem sobre uma Realidade que não conte apenas com a biologia e o método do pensamento
lógico linear. O fulcro da questão é:” nascido da Virgem Maria ...”
... Maria, através da fé, torna-se a terra
sagrada capaz de dar à luz o divino...
No nascido da Virgem Maria, em Jesus Cristo,
reconhece-se o novo começo da humanidade como oferta divina gratuita e com isto
a primazia do transcendente (do Espiritual) na Natureza. A “cheia de graça” dá
à Luz (sem o pecado original) o novo Adão da humanidade...
Como vivemos numa sociedade neopagã, de formatação
materialista e utilitarista, com pouca tolerância para a poesia e para o
espiritual, tudo isto se torna enigmático e é por muitos reduzido a “mito”...
A Virgem Maria é o testemunho da diferença “contra
os ídolos escravizantes do homem moderno” (2) que querem fazer do sexo o
paraíso solucionador de todos os problemas sociais e humanos. Uma sociedade
cada vez mais infiel ao seu passado reduz a virgindade a mero tabu sem perceber
o que ela simboliza nem o que ela tem a dizer à sociedade actual. Na virgindade
o valor do feminino é independentizado e isentado da condição de ser mero anexo
do masculino...
Em Maria tornam-se visíveis os traços maternais de
Deus! Em Maria se encontra a deusa encoberta do cristianismo...
... Tal como o Sol estimula a natureza ao
desenvolvimento também o espírito estimula o ser humano a uma visão sustentável,
a não fixar o seu fim/meta na sepultura...
... cristologicamente falando, a missão mais
profunda de cada pessoa é dar à luz (encarnar) Jesus Cristo e assim não se
deixar submeter ao meramente sexual...
Maria merece ser abordada para além de modas, de
crenças, de tabus e de erotismos; ela mantém a sua característica original,
facto este que lhe dá sustentabilidade...
Reduzir a Realidade ao real percepcionado ou ao conhecido
corresponderia a reduzir o universo ao sistema solar. Trata-se de não reduzir o
sentido da vida só ao caminho porque o caminhante e a caminhada transcendem o
caminho. A abertura ao mistério e ao desconhecido é o melhor meio de superar o
desconhecimento e o preconceito, seja na afirmação, seja na negação. A fé e a
esperança são os raios de sol que nos erguem a cabeça para vermos mais além.
António CD Justo
Teólogo e
Pedagogo
Texto completo e
notas em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8869